terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

[dia europeu da disfunção eréctil] histórias do mato...


 Pausinystalia yohimbe, planta africana de onde se extrai a Ioimbina, largamente difundida e utilizada contra a disfunção eréctil. Também conhecida como "Pau de Cabinda".

(continuando...)

De todas as vezes que trabalhei como voluntária em Moçambique, apesar de a minha especialidade de coração ser a Pediatria, sempre vi adultos e crianças e, obviamente, tratei todas as doenças sexualmente transmissíveis (DST) que me passaram pelas mãos [passe a expressão] e que grassam como a malária por todo o país. Para isso de muito me serviu a minha formação na consulta de DST no Centro de Saúde, onde durante meses, antes de iniciar a especialidade, tratei das mazelas e desgraças dos "porbaixos" dos tios e tias da Lapa e restante Lisboa.

Outra circunstância que também contribuiu em larga medida para a minha grande actividade assistencial nesta área foi a recusa determinada de todas as minhas amigas médicas em tratar destes assados:
- Aquela doutora ali é que é especialista - indicavam elas, muito afavelmente, apontando na minha direcção, quando algum doente as abordava com estas questões.

De modo que quando algum homem me entrava na consulta e o via fechar a porta atrás de si, percebia imediatamente qual era o assunto que o afligia.

Mas se as DST não me traziam questões de maior - sabia diagnosticá-las, tinha exames à disposição e os medicamentos necessários -, os homens com disfunção eréctil vinham por arrasto e isso é que era um problema. Um bicho-de-sete-cabeças. Nunca tinha tido formação nessa área e não era situação que me despertasse curiosidade ou interesse científico... Nestes casos fazia apenas uma investigação básica (ver se os ditos senhores tinham reflexos normais nos membros inferiores, se não tinham anemia ou insuficiência cardíaca e pouco mais) e tentava terminar a consulta o mais rapidamente possível, dizendo que não tinha medicamentos para isso e que o melhor era procurarem um curandeiro, porque eu sabia que existiam  árvores nas imediações de cuja casca se extraía um produto viagra-like que combatia a disfunção eréctil (a Ioimbina, ver figura ilustrativa). Aliás, era notório que muitos homens padeciam desse mesmo mal nas redondezas, uma vez que algumas árvores estavam tão esquartejadas que quase se lhes viam as entranhas... E se a situação fosse psicológica não me estava a ver a fazer psicoterapia a homens de outra cultura. Curandeiro com eles e vá de chamar o próximo.

Mas, certo dia, um dos enfermeiros do hospital insistiu tanto que me vi obrigada a investigar mais sobre o assunto... E, quanto mais investigava, menos percebia o que se passava, porque as respostas eram todas afirmativas: que sim, que às vezes acordava com erecção, que sim, que às vezes tinha erecções e ejaculação durante o sono, que sim, que pois e que também... Mas então, haveria algum problema na relação com a mulher?

- Não, doutora, eu ainda tenho amor!
- Mas que estranho, então o que é que lhe acontece?
- Doutora, para "brincar" com a minha mulher eu não apanho aquela força... eu só consigo "brincar" quatro vezes por noite...
[Caiu-me o queixo...]

- Ah... bem... acho que sendo assim não o posso ajudar. Tem de ir ao curandeiro mesmo...

[E muitas questões se poderiam colocar a partir desta, mas o post já vai longo e o dia é o dia Europeu da disfunção eréctil e não Africano por alguma razão...]

2 comentários:

  1. Bem assim não havia pau de cabinda que lhe valesse! :)

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  2. Bem, talvez ajudasse um bocadinho... lol

    (um) beijo de mulata

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